terça-feira, 29 de setembro de 2009

INICIANDO A DISCUSSÃO


Começo aqui a compartilhar ideias que surgem de leituras interessantes.
A primeira delas vem de um livro que acabei de reler: Feliz Ano Velho, de Marcelo Rubens Paiva.
Nele, o autor conta detalhes do acidente que o deixou paraplégico aos vinte anos e faz também um apanhado político da época, passando pela ditadura e também pelo nascimento do PT, de Lula.
Essa leitura me fez refletir sobre algumas coisas que, aparentemente, perderam a importância no atual cenário político como, por exemplo, a ditadura. O que significou esta época para a maioria das pessoas? Fazendo um apanhado bem suscinto, foi um momento em que a poupança rendia muito e os salários eram reajustados mensalmente, o que dava a impressão de que se ganhava muito dinheiro. Porões? Torturas? Desaparecidos? Exílios? Todas estas coisas eram para os arruaceiros, que desejavam "bagunçar" a ordem. Estavam muito distantes da realidade da maioria.
Marcelo fez parte da minoria. O pai, desaparecido e a mãe presa, com a incerteza se ela voltaria ou não para casa.
Com a família incompleta (faltava-lhes o pai), viram-se obrigados a mudar para outro estado e recomeçar.
Olhando para esse passado, não muito distante, penso em como muito dessa história se perdeu e em como as gerações mais novas não conhecem quase nada sobre ela.
Em Feliz Ano Velho o autor conta também como se identificou com as ideias de um certo "operário barbudo", fundador de um novo partido, voltado para a classe trabalhadora, preocupado em colocar em prática uma nova maneira de governar. É possível sentir o desejo que o jovem possuía de ver o tal "barbudo" no poder.
Voltando para o hoje, vemos que ele conseguiu: o operário está lá, mas... e a nova maneira de governar? Onde foi que ela se perdeu na trajetória deste líder?
É interessante comparar o início deste partido, seus ideais e todo o seu discurso com o que vemos dele hoje. Não vejo muita semelhança entre os dois. Aliás, me parecem bem diferentes! Como aprendi em uma disciplina na faculdade, é como se um fosse gordura e o outro água: não se misturam.
Onde quero chegar? Como disse no meu perfil, acredito que mudar é possível, desde que haja em nosso meio uma memória política e a plena consciência de que o poder para isto está em nossas mãos. O povo brasileiro tem uma grande arma , que é o voto. É preciso saber usá-la de maneira menos irresponsável, conhecendo a história para que ela, assim como a moda, não volte a se repetir, dando a falsa impressão de que se está vivendo algo inédito.

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